Queda histórica na cidade maravilhosa: Falência de banco culmina no fim de 100 agências e intervenção do Banco Central
Um dos bancos mais históricos e importantes do Rio de Janeiro, RJ, teve sua falência decretada após enfrentar uma série de adversidades financeiras e percalços jurídicos, os quais acabaram culminando na intervenção do Banco Central.
Estamos falando do icônico Banco Halles, fundado em 1967 e que chegou a ser considerado um dos maiores nomes quando falamos em investimento do país.
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No entanto, seu crescimento acelerado, somado à crise de liquidez, agravada pela especulação e gestão descontrolada, levou à sua liquidação total.
O episódio marcou a história do sistema financeiro brasileiro, que desenvolveu um controle maior sobre as instituições financeiras após a crise.

A partir de informações do portal Wiki e Valor Econômico, a equipe especializada em economia do TV Foco mergulha novamente nessa história, a qual marcou a história do nosso setor financeiro.
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Uma potência!
Conforme mencionamos acima, o Banco Halles foi fundado em 28 de março de 1967, com sede na capital do Rio de Janeiro.
Sua abertura se deu graças a carta-patente nº A-67/1107 concedida pelo Banco Central do Brasil.
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- Nos primeiros anos de operação, o banco se destacou como uma das maiores instituições financeiras do país.
- Sua carteira de câmbio ocupava a quarta posição nacional, enquanto o Fundo de Investimentos do Halles estava entre os três maiores do Brasil.
Não demorou muito para que o banco se consolidasse como um dos maiores do país, com um capital de 8 bilhões de cruzeiros novos logo após sua fundação.
A expansão do banco foi impulsionada pela Lei de Reforma Bancária de 1964, pelo presidente Castelo Branco, primeiro presidente após o golpe de 64, a Ditadura Militar.
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O mesmo incentivou fusões e aquisições de bancos menores, o que possibilitou a concentração bancária e ajudou a acelerar o crescimento de Halles.
Ao longo de sua trajetória inicial, o banco adquiriu o controle de outras instituições financeiras, consolidando sua posição no setor.
Chegada de Jabour
No ano de 1971, o fundador Francisco Pinto Junior formou uma sociedade com João Jabour, o maior acionista individual do Banco do Brasil, criando a holding JJH:
- Jabour passou a deter 50% das ações do banco.
- Enquanto os outros 50% ficaram com os demais acionistas.
A partir dessa aliança, o Halles iniciou uma série de aquisições prejudiciais de outros bancos, como o Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais.
Inclusive, apesar das tentativas fracassadas de controle acionário, isso fez com que o valor das ações do banco quadruplicasse na bolsa de valores.
No mesmo período, a JJH adquiriu o controle de quatro outros bancos importantes, incluindo o Banco Lowndes e o Banco Intercâmbio Nacional.
Em 1972, o Halles completou uma das maiores aquisições da época, ao incorporar o Banco Andrade Arnaud, um banco cinco vezes maior do que o Halles, por 300 milhões de cruzeiros.
Esse movimento, no entanto, previa o financiamento de Jabour e empréstimos do Chase Manhattan Bank.
Em crise
O Banco Halles passou por dificuldades financeiras no final de 1972, quando não pagou a primeira parcela de um empréstimo com o Chase Manhattan Bank.
A dívida fez com que o banco enfrentasse uma crise de liquidez crescente.
Além disso, a gestão da instituição, sob novos acionistas, diversificou seus investimentos sem a experiência devida.
O que resultou em perdas significativas, como o prejuízo de 125 milhões de cruzeiros na tentativa de entrada no mercado de exportação de soja.
Em fevereiro de 1974, o Banco Halles não apresentou seu relatório financeiro, o que gerou desconfiança no mercado.
No dia 14 de março de 1974, os acionistas do banco informaram ao Banco Central sobre a insolvência da instituição, solicitando ajuda.
A carta, no entanto, nunca foi entregue ao até então presidente do Banco Central, Ernane Galvêas, e foi lida apenas pelo seu sucessor, Paulo Hortêncio Pereira Lira, que entregou a carta como uma confissão de insolvência.
Banco Central entra em cena
Em 16 de abril de 1974, o Banco Central do Brasil decretou uma intervenção no Banco Halles com base na Lei Federal 6.024/1974.
O banco, até então o oitavo maior conglomerado bancário do Brasil, com mais de 100 agências, 200 mil correntistas e cerca de 30 mil acionistas, entrou em um processo de liquidação.
A intervenção foi realizada de forma discreta para evitar pânico no mercado financeiro, mas, mesmo com a tentativa de sigilo, a notícia vazou rapidamente.
Consequentemente, com a bomba estourada no mercado, houve uma queda de 3,5% nas ações da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.
Durante a intervenção, o Banco Central negociou a venda do Halles para António de Sommer Champalimaud e Sebastião Camargo, mas as propostas não avançaram.
Sem alternativas viáveis, o Banco Central acabou transferindo a responsabilidade pela crise para o Banco do Estado da Guanabara (BEG), que assumiu o controle do banco.
Quais foram os impactos da falência do Banco Halles?
Em junho de 1974, o governo brasileiro gastou 8 bilhões de cruzeiros, equivalentes a 1,2 bilhão de dólares, com a intervenção no Banco Halles.
O banco foi definitivamente liquidado, e seus ativos foram investidos pelo BEG, marcando o fim de um dos maiores bancos de investimento do Brasil.
Marcando assim o fim das suas mais de 100 agências e seu poderio no mercado financeiro.
Posteriormente, a falência do Banco Halles foi um evento emblemático na história do sistema financeiro brasileiro, revelando falhas de gestão e falta de controle sobre a especulação no setor bancário.
A intervenção e liquidação do banco serviram como uma lição para o governo, que a partir desse momento passou a adotar uma postura mais rígida na regulação do mercado financeiro.
Além disso, o caso do banco Halles foi considerado um dos maiores escândalos financeiros da era militar, no entanto, devido a censura e opressão, abafaram e silenciaram esse fato durante anos.
Conclusão:
Em suma, a história do Banco Halles reflete as dinâmicas complexas de crescimento e falência no setor financeiro, especialmente em uma época marcada pela especulação e falta de supervisão.
Inclusive, a intervenção do Banco Central e a liquidação do banco impactaram profundamente a economia brasileira.
Por fim, o episódio permanece um marco na história financeira do país, embora abafado na época, exigindo alerta sobre os riscos de uma expansão descontrolada.
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